Aminoácidos na Agricultura

Devido ao contínuo avanço do conhecimento sobre os processos biológicos das plantas, tem-se conseguido obter ampla visão das funções dos aminoácidos, desde o ponto de vista morfológico ou estrutural, como moléculas básicas das proteínas, até suas importantes funções bioquímicas e fisiológicas.
As plantas sintetizam seus próprios aminoácidos a partir do nitrogênio inorgânico que absorvem da solução do solo, e de ácidos orgânicos, produto da fotossíntese, utilizando complexas reações enzimáticas que requerem um notável consumo de energia por parte da planta.

Absorção e utilização dos aminoácidos pelas plantas

Fornecendo-se uma solução com alto teor de aminoácidos livres a uma planta, observa-se que ela os absorve diretamente para que possa fazer uso imediato dos mesmos, incorporando-os ao seu metabolismo com uma incontestável economia de energia. Além disso, caso esse aporte seja feito nas fases críticas do ciclo produtivo da cultura (floração, frutificação, maturação) e nos processos de superação de estados de estresse (hídrico, térmico, salino, transplante, etc.) livramos a planta do trabalho de sintetizar os aminoácidos, com uma conseqüente ajuda energética.

Pode-se afirmar que os aminoácidos livres e peptídicos de baixo peso molecular são substancias nutritivas de fácil absorção e assimilação (Schobert et al. 1988), tanto por via foliar como radicular, transportando-se aos órgãos da planta nos quais existe uma maior demanda devido a sua atividade, como é o caso das brotações, flores e frutos. (Kato et al., 1985).

O uso de aminoácidos potencializa os mecanismos naturais que a planta possui para enfrentar qualquer situação adversa, além de incrementar sua velocidade de resposta frente a essas condições, já que não tem que investir energia para sintetizar aminoácidos imprescindíveis nessas circunstâncias.
Os aminoácidos desempenham um papel importante no aumento da resistência das culturas ao estresse hídrico e salino, devido ao seu acúmulo no citoplasma, compensando a pressão osmótica exterior (Buhl & Stewart, 1983). O mesmo mecanismo é eficaz para a prevenção nas geadas, além de possibilitar à planta seguir sintetizando proteínas quando a atividade fotossintética fica diminuída pelas baixas temperaturas.
Além disso, estão associadas aos aminoácidos as propriedades estabilizadoras do metabolismo, já que permitem a tradução do m-RNA, atuando como protetores da síntese protéica (Aspinall, 1986).

Tem-se demonstrado em vários experimentos o efeito que os aminoácidos desempenham no controle estomático das plantas cultivadas em situações de estresse
(Pinôl & Escaich, 1995). Essas moléculas favorecem a abertura estomática, permitindo maior intercâmbio de gases e ativando a síntese de clorofilas e a atividade da enzima responsável pela fixação de CO2 (Rubisco). Tudo isso favorece o processo da fotossíntese, provocando maior produção e melhor resistência aos estresses, além de maior aproveitamento dos produtos fitossanitários.

O aporte de aminoácidos com elementos minerais, formam quelatos que translocam pelo sistema vascular (Mullins et al., 1986), ao mesmo tempo em que os aminoácidos favorecem a permeabilidade da membrana celular, obtendo-se uma maior eficácia na adubação.
As exigências de aminoácidos por parte das plantas estendem-se durante todo seu ciclo. Essas moléculas desempenham importante função nutritiva desde antes da germinação, já que representam para o embrião da semente, a principal fonte de nitrogênio orgânico. Uma vez iniciada a etapa da germinação, contribuem para formação das enzimas catabólicas (proteases, amilases, lipases, etc.) encarregadas de realizar a hidrólise específica das substâncias de reserva armazenadas no endosperma (Escaich et al., 1991 B). Posteriormente, participam de diferentes processos tais como: a síntese de proteínas; a formação de fito-hormônios como algumas auxinas, etileno, poliaminas, porfirinas, etc.; a regulação do balanço hídrico nas plantas como moléculas quelantes de íons necessários para o desenvolvimento da planta, entre outras funções.